sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Ensine-os a pensar - cap. 4

Pensar não é só uma questão de conseguir aplicar processos mentais lógicos, embora seja uma parte importante do pensamento. Também tem que ver com ser capaz de formular ideias e opiniões, e com tomar decisões sozinho. O bons professores podem ajudar nessa área, mas a maior parte do trabalho é da nossa responsabilidade enquanto pais.
O ABC do pensar: Uma das formas mais importantes encorajar o seu filho a pensar é pô-lo a ler. Ou seja, fazê-lo gostar da experiência de ler. É preciso começar em uma idade precoce. Comece a ler para ele pelo menos quando tiver 6 meses. Á medida que ele cresce já pode manusear livros próprios para suas idades. Quando já estiver alfabetizado faça com que tenha acesso a livros, se não puder comprá-los inscreva-se na biblioteca, e incentive os familiares a presenteá-lo com livros. A leitura tem que ser prazerosa, se a criança não gostar do livro, experimente outro. 

Não responda a todas as suas perguntas: Seus filhos não aprenderão nada se você lhes der tudo pronto. Quando eles forem pequenos dê-lhes pequenas indicações para a resolução de um problema e não o trabalho todo feito. Devemos encorajá-los a descobrirem respostas sozinhos incentivando assim sua independência. Se seu filho de 6 anos lhe perguntar acerca de algum animal, por exemplo, mesmo que saiba a resposta de imediato ajude-o a pesquisar em algum livro ou mesmo internet, assim ele vai ter tempo para refletir e até aprender mais do que o que estava querendo saber. Adquira o hábito de perguntar: Como é que você acha de podia fazer isso? Há alguma maneira de podermos descobrir a resposta? O que é que você acha?

Competências de pensamento prático: Isto é a gênese de outra competência essencial que o seu filho precisa aprender: usar um índice. Incentive-o a procurar algo em um índice ou mesmo a localizar um caminho no mapa. A lista a seguir são das competências básicas que seu filho deve ser capaz de ponderar por si próprio quando já tiver idade de sair sozinho:

  • Usar um índice/dicionário/enciclopédia.
  • Usar um motor de busca na internet.
  • Fazer um telefonema para obter informações.
  • Interpretar um mapa.
  • Interpretar uma tabela horária. 
  • Planejar um percurso.
  • Planejar uma refeição.
  • Planejar uma viagem ou atividade (desde como chegar lá até o que levar).
  • Organizar pessoas para que estejam todas no mesmo local e à mesma hora.
Pensamento lateral: É difícil alguém pensar "fora do baralho" depois de o baralho já estar presente. A melhor abordagem é apanhá-las enquanto são pequenas e pô-las a pensar sobre tudo e mais alguma coisa. Envolva-as sempre que puder na resolução de situações do cotidiano. As crianças, por não conhecerem todos os constrangimentos, podem por vezes descobrirem respostas que não ocorrem aos adultos. As crianças devem ser envolvidas em problemas dos adultos como encontrar um novo local para o sofá, como ir para a escola quando não tem o transporte habitual, isso fará com que se sintam importantes ainda mais se conseguirem ajudar a encontrar a solução. Nunca ridicularize uma ideia, se não for viável, encoraje-o a melhorá-la. É a forma como os encoraja e abordar problemas do dia a dia que as ensinará a pensar lateralmente.

Decisões, decisões: De ano a ano as crianças vão tendo que tomar mais decisões e cada vez mais relevantes para suas vidas.  Nós temos que incentivá-los a tomarem as decisões que estão ao seu alcance. Para os mais novos podemos dar duas ou três opções para eles escolherem por exemplo, as calças que vão vestir. Ir envolvendo-os nas decisões fará com que se sintam seguros na hora de tomar as decisões por si mesmos.

Tenha uma opinião: As conversas na hora da refeição são boas oportunidades de fazer com que seu filho expresse suas opiniões. Podemos pedir que pensem sobre alguma coisa como por exemplo: Por que é que as crianças têm de ir à escola? Por que acha que as lojas fecham de noite? 
Quando os filhos forem mais velhos as perguntas podem ser mais avançadas como: O que acha daquelas pessoas que levaram o cão delas para o canil porque não podiam tomar conta dele? Depois de sua resposta seja qual for avance com o assunto: Suponha que ele ficassem com o cão mesmo sem condições de tratar dele. Acha que isso estaria certo? As criança gostam de conversar e gostam de saber que está interessado na opinião delas. Com esse exercício diário de forma natural seu filho estará se preparando para argumentar, formar e defender suas opiniões em qualquer debate. 
  • Tente não as direcionar de forma alguma.
  • Encoraje suas ideias e faça de "advogado do diabo" para que elas defendam sua posição com mais vigor.
  • Chame-lhes a atenção suavemente no caso de estarem se contradizendo.
  • Elogie-as se lhes ocorrer uma argumentação particularmente astuta.
  • Mostre-lhes que não faz mal mudar de opinião perante um argumento convincente.
A expansão dos 10 anos: Quando as crianças chegam aos 10 anos, ou por volta dessa idade, começam a tomar maior consciência do mundo que está para além da sua própria vida. Pense nas suas memórias mais antigas de acontecimentos fora de sua vida particular. É por volta dessa idade que seu filho pode mostrar interesse em acontecimentos de âmbito nacional ou mundial. Aproveite seu novo interesse e de vez em quando mostre artigos em jornais, revistas, etc que possam ser interessantes para ele, isso o fará ver que é normal ler notícias. Pode mostrar uma matéria sobre uma nova espécie de lagarto em uma ilha vulcânica se seu interesse for animais exóticos. Como pais devem saber aquilo de que gostam.

Pense bem: Os seus filhos ficarão muito bem preparados para a vida se conseguirem pensar por si próprios. O pensamento prático, a tomada de decisões, a construção de um argumento, todas essas competências são essenciais. E apesar de, geralmente, a escola e a vida os ajudarem um pouco à medida que elas avançam, é você que pode, de fato, fazer a diferença ao encorajá-los a pensar por si  próprios e a gostarem de o fazer.



5 comentários:

  1. Renata, beleza de postagem. A tendência da gente, sempre com pressa, é "fingir" que ouve a criança e até não dar a mínima importância para o que ela fala. Pelo que li na sua postagem, isso deve gerar uma insegurança muito grande na criança.
    Estou gostando muito do seu empenho para nos esclarecer e também "puxar as orelhas" quando necessário.
    Um grande abraço.
    Manoel.

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  2. Super interessante o post.. é pra gente pensar mesmo e fazer algumas coisas diferente! Adorei!
    www.jetinhos.blogspot.com

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  3. Amiga agora voltei de vez..rs Eu gostei muito desse post.. e já vou ler os outros.. ás vezes são coisas simples que fazemos por eles e nem percebemos q as vezes estamos atrapalhando né..Bjinhos Lili do Luanzinho

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  4. Olá vim lembrar que o meu SORTEIO PARA MADRINHA VIRTUAL ainda está a decorrer até ao dia 15/01/2012, se quiseres concorrer basta só carregares no VOTE e escreveres em comentário o numero que te saiu...Obrigada e muitos Beijinhos

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  5. Olá Renata, tudo ok?
    Passei no seu blog para agradecer a visita e os comentários no meu post sobre meu pestinha favorito e me deparei com esse excelente texto publicado.
    Sempre falo isso com os pais dos meus alunos. É muito importante ensinar e reaprender a ouvir.
    Quando uma criança fala conosco pode transmitir muitas informações sobre sua vida e seus sentimentos. Precisamos olhar em seus olhos e escutar. Isso é aprendizado. Isso faz diferença quando a criança entra na escola. Ela aprendeu a ser ouvida, a ouvir, a falar, a ter segurança em perguntar. Isso facilita o aprendizado e o relacionamento com os amigos e os professores fica muito mais seguro.
    Devemos falar mais sobre isso
    Beijocas
    Cris Chabes

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