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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ano bissexto

Daqui

Legal essa sensação de ter um  dia a mais no ano! Quando eu era criança, achava o dia looooooooooongo, as semanas intermináveis, as estações uma eternidade. Na idade adulta parece que os dias foram reduzidos, nem damos conta da semana passar, e as estações mudam num piscar de olhos. 
Já repararam que a maioria dos adultos parece estar sempre correndo atrás do tempo, atrasados, com pressa, como se o tempo fosse sempre insuficiente. O sono não restaura as energias, o trabalho não rende, a vida e a saúde se esvaem, as crianças crescem e os adultos vão acelerados como que por ladeira abaixo. 
Acho que o problema maior tem sido esse, a rapidez com que as coisas são feitas, tudo é praticamente instantâneo. Quando alguma coisa não está na velocidade que julgamos ser a normal, coloca-se a mão na buzina, afinal, tudo tem que acompanhar o ritmo alucinante da vida adulta. Aliás, até algumas crianças estão sendo contaminadas com essa pressa. Nunca tivemos tantos diagnósticos de hiperatividade infantil como agora! Será que ainda dá para tentar consertar alguma coisa nessa área? Eu, como não trabalho fora, posso gerir meu tempo nas atividades em casa, não tenho a pressão de ter que produzir algo, prazos, limites, metas, alvos, enfim, posso me dar ao luxo (sim, está virando um artigo de luxo) de ir mais devagar, utilizando as horas que o dia me oferece. Já falei sobre isso nesse post sobre a pressa, mas é sempre bom repetir, ainda mais nesse ano, que temos um dia a mais. Aproveitem!


sábado, 10 de dezembro de 2011

Ser e agir diferente

Texto de Isabel Araújo Santos, publicado na revista Lar Cristão nº 159 Ano XLIII, pág. 30,31.

"Vem-me à mente uma pequena notícia que li há alguns anos. Numa pequena igreja de uma zona rural havia um menino com síndrome de Down que anualmente lutava por entrar na peça de Natal. Naquele ano, os organizadores resolveram fazer-lhe a vontade, deram-lhe o papel do estalajadeiro que teria de informar Maria e José, dizendo uma única frase: 'Não há lugar, está tudo ocupado!'
O menino estava orgulhoso, mas muito nervoso e quando chegou a altura da sua deixa, ele não hesitou. Chegou à porta e disse ao jovem casal que 'Não há lugar. Está tudo ocupado!'
As crianças que representavam José e Maria, começaram a afastar-se, evidenciando tristeza e cansaço. Nessa altura, o 'estalajadeiro' chama-os e diz-lhes. 'José e Maria, não vão embora, entrem e fiquem na minha cama!'
Conta-se que foi das mais belas e incríveis festas de Natal daquela pequena igreja.
Ponho-me a pensar, e se Deus se comporta-se como nós?
Mas o salmista diz: 'Porventura não esquadrinhará Deus isso? Pois ele sabe os segredos do coração.' (Salmo 44:21)
Que contra todos e tudo possa eu também 'sair da deixa', que me querem impor, e me aproxime do que Deus quer de mim e deseja ver e ler no meu coração".


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Opções

É sempre assim. Desde o momento em que acordamos já começamos com as múltiplas escolhas. E saiba que se a sua opção for não optar por nada, essa já é a sua primeira opção do dia. Comigo há dias em que eu preferia que outros decidissem por mim. Que roupa vestir (embora as opções não sejam muitas), o que comer no desjejum, que tarefa doméstica fazer primeiro, o que preparar para o almoço, essas coisas. Vivemos na ditadura das opções. Quando vamos às compras isso é bem notório. Digamos que precisamos comprar um simples saco de pão de forma. Num supermercado de porte médio você encontra pelo menos 8 tipos diferentes (marcas, sabores, preços, com brindes, sem gordura...) e por aí vai. Na tv então é que a coisa complica. Às vezes nos pegamos a assistir cerca de três canais ao mesmo tempo (sem assistir nenhum, é claro). Mas nesse caso é porque em geral as opções são de má qualidade. Muitas escolhas que fazemos são erradas (não era essa a profissão que queria... sabia que devia ter virado à direita... bem que desconfiei que aquele produto era muito barato...), mas isso só percebemos depois que as fazemos. Também, como poderíamos saber que eram erradas se a vida não vem com as respostas certas no verso da folha?

Google imagens

Texto escrito nos idos 2005. De lá para cá aumentaram a quantidade de marcas e tipos de pães de forma.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Ontem eu caminhei

O que seria essa sequência de fotos? Andar cabisbaixo? Torcicolo? Defeito na câmera? Tênis novos? Nada disso. Apenas parei para observar por onde estava andando, literalmente, e vi imensas texturas, cores, espécies de vida. Pena que estava frio, descalça seria muito melhor...














sábado, 26 de novembro de 2011

Jingle bell, jingle bell, acabou o papel...

E quem é que nunca passou por essa situação? Há coisas que só damos valor quando realmente nos faltam, e geralmente quando faltam é precisamente quando mais precisamos. Damos o devido valor à energia elétrica quando estamos assistindo a final do campeonato na tv. Da mesma forma a água torna-se mais preciosa nos dias de calor, quando se chega das compras depois do trabalho e o que mais se quer é um bom banho. Na hora da falta percebemos o que realmente é importante, porque o que não nos importa não nos faz falta.
Nos finais de ano sempre vemos as pessoas mais solidárias por conta de campanhas direcionadas para esse propósito. Ouvimos sobre doação de alimentos, roupas, material escolar, brinquedos... e no geral as pessoas aderem a esse tipo de campanha, o que é bom e faz bem para a consciência. Mas penso que a maioria doa o que não vos faz falta, o que está sobrando ou o que já não interessa. Nesse caso o desafio não é assim tão desafiador. E que tal se você doasse algo que é importante para você? Talvez seja o seu tempo o artigo mais precioso, quem sabe um objeto!

Desapegue-se.





sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sombras

Nem tudo é o que parece ser. Nem sempre vemos as coisas como realmente são. O que pensamos ser realidade às vezes são só sombras daquilo que é a verdade. Na imagem a seguir estou com meus filhos de manhã indo para a escola, e olharmos nossas sombras rende muitas conversas e questionamentos, eu tento mas não consigo chegar a grandes conclusões nas respostas. "Podemos ser mais rápidos do que a sombra?" (ora essa, o  Peter Pan consegue) Por que estou mais alto no chão?" (veja bem...) "Pisar na sombra faz doer?" (quer dizer...) "Parecemos uns bonecos pernudos da cabeça pequena."(mas às vezes somos achatados)  "As sombras são seres extraterrestres?" (agora foi).  

Em algum momento deixamos de nos deslumbrar com as coisas simples da vida, sem o deslumbre deixamos de apreciar, sem apreciação deixamos de questionar, sem as questões deixamos de aprender e sem aprendizagem deixamos de crescer, e vamos diminuindo, minguando. Por isso perguntem meus filhos, questionem, tirem conclusões malucas sobre a vida e seus deslumbres, continuem a perguntar mesmo depois de terem obtido uma resposta porque a vida requer curiosidade.  


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Preparativos para o natal

Imagem via
Uma rápida conversa com uma educadora de infância me fez refletir sobre o assunto. Perguntei a ela como seria o natal na escola e pelo que percebi haveria muitos trabalhos com esse tema, usando principalmente a figura do "Pai Natal" (Papai Noel no Brasil) nas decorações e canções visto que nem todos os pais seguiam uma religião. Eu argumentei que o natal era essencialmente algo associado ao nascimento de Jesus e não à religião, ao que ela prontamente me respondeu: mas aqui na escola não temos Jesus no natal. Essa conversa aconteceu no ano passado, mas penso que nesse ano será a mesma coisa. Pelo menos a professora foi atenciosa e sincera. 
E no seu natal, vai ter Jesus? 
Passeando pelos supermercados e folheando as publicidades que recebo na caixa de correios vi que nos lindos enfeites a temática principal é o tal senhor gorducho de barba branca e roupa vermelha. Não tenho nada contra esse senhor, nem contra enfeites, muito menos contra festas, mas acho que temos deixado de lado a origem do natal e seu significado. Experimenta digitar "natal" na pesquisa de imagens do google para ver a quantidade de símbolos natalinos como bonecos de neve, renas e afins. Natal não pode ser somente uma grande festa familiar com luzes, banquete e presentes, muito menos pode ser um ritual religioso conforme acontece em muitas igrejas com seus presépios e peças teatrais criativamente elaboradas. 
Celebrar o natal, além das tradições e culturas, deve incluir principalmente a gratidão pelo ato de amor que foi o nascimento tão particular e único de Jesus, e refletir em seu significado para a sua vida e para a humanidade. O natal deve ser lindo de dentro para fora. Com o  interior bem preparado e a casa enfeitada será um natal inesquecível.
Um natal sem Jesus é apenas uma bela reunião familiar onde a troca de presentes alegra e diverte, e a comida caprichada reconforta o corpo, mas não é natal. 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Nunca (jamais) beba e dirija

Sempre vemos campanhas sobre o assunto, mas nesse caso, nunca é demais lembrar. Sabemos que a maioria dos acidentes nas estradas não são de fato acidentes, mas imprudência, descaso, falha humana. O resto fica por conta de problemas mecânicos, manutenção de estradas e condições meteorológicas. Mas o álcool é o maior causador de acidentes de viação no mundo, e não é preciso estar bêbado para que tal aconteça. As mortes causadas pela condução sob efeito de álcool atingiu os níveis de epidemia e está entre as principais causas de morte de crianças e jovens de 1 a 25 anos! Falo isso porque as ocorrências aumentam com a chegada das festas de fim de ano. Para quem já está programando o Natal e Ano Novo, inclua em seus projetos essa temática. As campanhas na mídia têm sido muito boas, mas a campanha pessoal, olho no olho, é melhor ainda. Fale com alguém, conscientize, salve uma vida.


sábado, 5 de novembro de 2011

Batedeira dos anos 70

Uns dias atrás uma senhora já idosa disse que tinha em casa algo para me oferecer que me poderia ser útil. Uma batedeira. Por ser de idade avançada ela já não a utilizava (idade avançada se referindo à senhora, claro).  Passaram uns tantos dias a senhora finalmente me entregou a tal batedeira, não sem antes dar um leve abraço na caixa com aquela expressão de quem passou bons momentos com a mesma. Provavelmente fiz uma cara de: Hummmm, será que isso ainda funciona? Rapidamente ela disse que estava precisando de uma limpeza visto que há algum tempo não era manuseada (continuei com a cara de dúvida). A batedeira estava na caixa original  e pelo estilo de linhas retas julgo ser da década de 70, quiçá tenha a minha idade, não a posso chamar de velha não é? Mas bem poderia ser um artigo de museu. Ainda sem fé a levei para casa, lavei, desinfetei e liguei na tomada. Oh! Funciona! Até ganhei uma certa estima pela tal batedeira, fico a pensar se as pessoas também não olham para mim com essa cara de quem está olhando para um artigo de museu.





quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Supermercados

Se tem uma coisa que gosto de fazer como dona de casa é ir às compras no supermercado. Gosto de ver os novos produtos, aproveitar as amostras grátis, comparar preços, experimentar os biscoitos e bolos que nos oferecem, ver as datas de validade, ler os rótulos, cheirar quase todos os ítens das prateleiras de cremes e shampoos, apalpar as frutas e no fim... levar o básico que estava na lista porque sou muito poupada. Reparei num dia desses na nota fiscal, que estava escrito entre outras coisas, comércio varejista (acho que em Portugal é retalhista). Bom, isso eu já sabia, a questão é que não tinha refletido até então no real significado. Depois de alguma pesquisa percebi que tenho o direito de comprar, por exemplo, somente meio quilo de sabão em pó mesmo que para isso tenha que deixar o resto na caixa. O mesmo vale para o arroz, o feijão, a farinha e coisas desse tipo. Claro que não poderia levar meio potinho de iogurte ou meio sabonete (existem algumas regras). No caso dos iogurtes eles são vendidos em peças unidas e nos dizem que não é permitido tirar só um potinho, se quiser levar tem que levar todos unidos que é para não haver traumas de separação, eu acho. Por causa disso já fiz confusão em um supermercado reivindicando os meus direitos (não sou barraqueira mas tenho os meus dias). Outra armadilha que os supermercados nos fazem é vender uma caixa de hamburguer com 12 unidades e se você quiser levar o pacote do pão este vem com 8 unidades. Daí é preciso comprar outro pacote de pão por causa das 4 unidades, e mais outra caixa de hamburguer por causa dos 4 pães que sobram, e mais outro pacote de pães por causa das 8 unidades de hamburguer. Aí sim finalmente temos um empate (se é que não errei nas contas ou me chateei e fiz um hamburguer triplo). Pois é, acho que estou mesmo precisando de arranjar um emprego, ou virar vegetariana.

Nota: Postagem requentada de um extinto blog que participei em 2005, o Coisas Breves!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Blogstorming materno: publicidade nos blogs

E hoje é o dia do primeiro Blogstorming materno do Clube das mães e pais blogueiros do qual faço parte. 
Todos já percebemos que o que antes era um passatempo ou uma forma de compartilhar algo com amigos e familiares tomou grandes proporções e chamou a atenção das empresas e agências de publicidade. No caso dos blogs maternos, o que antes era feito de forma espontânea e gratuita, como a recomendação de produtos ou lojas, agora a dona (ou dono) do blog pode ganhar algum dinheiro com isso. A publicidade nos blogs é uma realidade que não podemos ignorar. O problema, na minha opinião, é que ainda não há padrões a se seguir, ninguém sabe quanto vale uma publicidade em seu blog simplesmente porque também não há divulgação de preços. Está mudando, claro, mas ainda há muitas dúvidas, e no geral as mães (e pais) estão recebendo menos do que deveriam, isso levando em conta o alcance dessa publicidade que vai direto ao público alvo, contando ainda com a credibilidade da pessoa que está por trás do blog. 

Publicidade no blog, o que é isso?
A publicidade pode aparecer em várias formas e tamanhos no blog. Pode ser um banner no cabeçalho, lateral ou rodapé, pode vir em forma de postagem e testemunho de consumidor, pode estar presente em algum sorteio, pode ser um link, temporária ou fixa, enfim. A pessoa pode ser procurada por uma agência ou empresa ou ela mesma pode tomar a iniciativa oferecendo os espaços em seu blog.

Pode-se viver disso?
Bom, deixo aqui um grande DEPENDE. Soubemos de pessoas que fazem disso uma renda extra, outras se profissionalizaram e transformaram seus blogs em site, há algumas pessoas que conjugam a publicidade com loja própria on line onde pode ser vendido produtos, consultorias ou serviços. 

Quanto ganham? 
Esse é o porém da questão, não há, como escrevi lá acima, uma tabela, um padrão, uma referência, então se a pessoa for boa em negociação pode ser bem sucedida, mas tem outras que aceitam presentes ou amostras do produto.

E a ética?
Bom, se a pessoa tem ética vai continuar a ter. Não faz sentido uma pessoa que levanta a bandeira vegetariana publicitar em seu blog uma marca de salsichas, por exemplo. Essa pessoa até cairia em descrédito. Mães que defendem a causa do aleitamento materno publicitarem leite em pó, como outro exemplo. As mães blogueiras tem muita influência na opinião de outras mães, sem dúvida, mas ninguém quer se sentir enganado não é mesmo? 

Por isso pensamos que vale a pena a blogosfera materna se unir, se apoiar e discutirem os assuntos, dividirem informações que podem ser importantes não só para quem se profissionaliza mas para quem está de alguma  forma exposto nesse mundo virtual. 
Há muitas pessoas talentosas a seu modo que fazem um bom trabalho em seus blogs. Há pessoas experientes, profissionais, gente com talentos que podem, e a meu ver até devem, receber pelo que fazem. 

Tem mais gente participando desse blogstorming materno, clique na imagem para ir lá ver:




terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sementes



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Isso de criar filhos é algo que nos faz pensar todos os dias. O que será que estou plantando em suas vidas? A parte de alimentar, brincar, dar banho e por para dormir é a mais fácil, mas e quanto ao caráter de meus filhos, será que tenho conseguido moldá-los de maneira positiva?  Tenho conseguido passar meus valores, tenho conseguido cuidar das sementes que plantei? Tenho me esforçado para extrair o melhor que há neles, respeitado suas diferenças de personalidade e valorizado seus talentos naturais? Até que ponto devo influenciá-los e até que ponto devo deixá-los tomar suas próprias decisões? Já começo a ver desenhado em seus olhos uma pessoa que é totalmente independente de mim, e o que vai nos ligar já não será mais a relação de dependência mas um sentimento sólido de amor, de mãe e filho. A responsabilidade pesa, mas não além do que posso suportar, e é lindo ver todos os dias folhas novas e bem verdes surgindo das sementes que plantei. Que meus filhos sejam sementes germinando em terra fértil e que as lágrimas de preocupação e incertezas que eu possa vir a verter sirvam para regá-los, fazendo-os crescer.

"Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos".  Salmos 126:6
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terça-feira, 18 de outubro de 2011

O violão e eu


Um dó básico
No século passado aprendi alguns acordes no violão com os amigos da igreja que tocavam. Fui aprendendo ritmos e notas de maneira instintiva e observando os outros. Por vezes comprava revistas de cifras ou pedia para alguém desenhar as posições para mim. Os dedos foram criando calos e na adolescência minha companhia era meu violão, além do bando de adolescentes que eu andava, claro. Levava-o para os passeios da turma, os acampamentos de férias, tendo inclusive participado de inúmeras serenatas que acabavam em balde d'água (rapazes ingratos), para apresentações na escola, casa de amigos... Meu primeiro violão até deu um belo "mergulho" na baía da Ilha Grande (ainda bem que estava com capa) e sobreviveu para contar depois. Hoje em dia não está comigo, também depois das 187228903564 mudanças que fiz não tinha como, coitado. Mas me lembrei dele por ter recebido essa "visita" que está na foto (para levarmos para arranjar) e senti saudades, não só do violão que minha mãe comprou em não sei quantas parcelas na época e me deu de presente surpresa, mas do tempo em que passava as madrugadas treinando ritmos e acordes, muitas vezes gravados no extinto gravador de K7 para dar de presente para os mais chegados (peço sinceras desculpas a quem recebeu uma dessas fitas), em que o afinava pelo piiiiiiiiiii do telefone e que viajava comigo para todo lado. Na minha primeira gravidez cheguei a tocar algumas vezes para minha Sofia, e acho que ela gostava, a caixa do violão ficava bem encostada na barriga. Depois disso cheguei a ter um da minha irmã emprestado (já que ela não se encorajou a aprender) mas como trabalhava pouco tempo tinha para praticar. Ter esse em casa despertou o gostinho de tocar que já estava adormecido há algum tempo.

O meu era dessa cor também.



Aproveitando para analisar os dias de hoje. Acho que a música e os instrumentos musicais deveriam ser ensinados na escola, ser mais acessível a todos. Os benefícios não só artísticos mas intelectuais, emocionais, e outros que nem sei citar seriam visíveis. Não que todos tenham que obrigatoriamente ter talento para a música mas só de terem o contato com ela já seria uma mais valia. Gostaria que meus filhos tivessem essa oportunidade de pelo menos conhecerem e decidirem se gostam ou não, se têm talento ou se vão praticar a música apenas em seus quartos como uma forma de expressão. Vamos ver.







segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dia internacional para a erradicação da pobreza 2011

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Dia 17 de outubro é o dia dedicado à erradicação da pobreza. Sabemos que a pobreza não será extinta em um dia, e particularmente sei que enquanto houver vida nesse mundo haverá alguém sofrendo com a pobreza. Erramos ao pensar que o governo, seja ele qual for, é que tem essa responsabilidade, ou então os religiosos é que deviam tratar do assunto, talvez organizações não governamentais sejam o grupo ideal para resolver o problema. Tsc tsc, onde é que entramos nesse processo, simplesmente pagando os impostos como manda a lei? Os pobres sempre existiram e sempre hão de existir mas a miséria é que tem aumentado, a mesquinhês prolifera mais que a AIDS e é altamente contagiosa. 
Estamos condicionados a pensar e visualizar a pobreza como sendo uma criança esquelética morrendo literalmente de fome preferencialmente do outro lado do mundo ou em alguma "favela". Em Portugal todos os dias surgem os chamados novos pobres (antes sempre ouvia falar dos novos ricos), e esses novos pobres não são pobres o suficiente para cair nas graças dos instituições de solidariedade social que ainda resistem à crise econômica. Esses ainda precisam aprender a lidar com o próprio orgulho até perceberem que a dor que sentem no estômago não é uma enfermidade mas sim fome. Também acho que é mais proveitoso ensinar a pescar do que dar o peixe, mas e quando o mar não está pra peixe? O desemprego tem um aumento galopante e qualquer emprego é disputado a tapa. Pessoas qualificadas não encontram sustento em suas áreas e quando procuram outras área ou não têm experiência ou têm qualificações demais. Angustiante não é? 
Agora, sobre a miséria, ou pobreza de espírito. Pessoas miseráveis não são só as que estão em extrema pobreza, mas são as que mesmo tendo mais do que o suficiente para si mesmas e para um outro tanto de pessoas, não partilham, não dividem, não se importam, são avarentas, mesquinhas, a consciência já não as acusa, tornam-se indiferentes. Portugal precisa de soluções políticas mas precisa também de motivação, inspiração, de solidariedade. Não é ficar aliviado porque o desemprego veio para o vizinho e os cortes salariais para os funcionários públicos e não para si. Daqui a um tempo, pouco tempo, de alguma forma, todos seremos atingidos se não reagirmos prontamente. Ajudar na erradicação da pobreza pode ser simplesmente levantar o moral de alguém, estimular, mas pode ser também dar algum bem material ou alimentos se for essa a necessidade imediata de alguém. 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ser criança na minha infância - Blogagem coletiva

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Nasci em 1975. Ser criança na minha infância era principalmente brincar na rua. A liberdade de brincar de pés descalços era indescritível. As crianças deviam respeitar os mais velhos, pai e mãe (e tios, professores, padrinhos, qualquer adulto) eram chamados de senhor e senhora, pedíamos a bênção ao cumprimentá-los ou a despedir na hora de dormir. Não vou dizer que era melhor ou pior do que hoje, mas era o meu tempo, aquele de que vou me lembrar mesmo quando for velhinha, ou especialmente quando for velhinha. As crianças da minha infância gostavam de confeccionar seus próprios brinquedos, embora tivéssemos acesso a muitos brinquedos já prontos de fábrica. Os brinquedos "artesanais" preferidos eram: estilingue (ou fisga), pipa (papagaio), carrinho de rolimã, elástico, corda, desenhávamos no chão o caracol e a amarelinha. Os jogos mais praticados variavam conforme o clima. Havia os outdoor: taco, vôlei, peteca, queimada, e todos os tipos de piques possíveis e  imagináveis. E os indoor favoritos eram: jogos de cartas, desfile de modas, teatro de sombras, forca, adedanha. Também brincávamos com nossos brinquedos, mas o que mais gostávamos era de brincar com os vizinhos, e ainda bem que na rua onde morava o que não faltava era criança para brincar, de várias idades. Tomar banho de chuva era uma festa permitida e partilhada por todos, e roubar frutas do vizinho era feito em cumplicidade, shiu. Os brinquedos que mais gostava eram a bicicleta e os patins. Os bichinhos de pelúcia eram poucos, mas os usava para dormir, e as bonecas nunca brinquei muito.
Era um período de muitas mudanças políticas, vivíamos sob a tensão e o medo do dragão da inflação que nos fazia correr para o supermercado no dia que meu pai recebia o salário e comprar tudo o que precisaríamos para o mês visto que no dia seguinte o preço poderia ser aumentado. Sabíamos pouco sobre o mundo dos adultos, mas já podíamos participar de algumas conversas e decisões familiares, mas só de convidados, claro.
Muitas crianças tinham, algo que gostavam de colecionar, as coleções mais comuns eram: papel de carta, borracha cheirosa (nunca mais vi) e figurinhas, eu particularmente colecionava revistinhas (gibis). Na verdade não colecionava, mas tinha um montão que líamos e relíamos lá em casa. Refrigerante era servido em copinho de geléia de mocotó, um litro dava para todos e ainda sobrava. Os programas de televisão para crianças estavam no início, o que eu e todos gostávamos era do clube do Mickey, Daniel Azulay com a Turma do Lambe-lambe e dos Trapalhões (na tv e cinema). O Balão Mágico veio não só com os desenhos animados mas com suas músicas que alegravam as festinhas de aniversário. Os vídeos games estavam engatinhando mas eu já fazia a festa com o Atari do meu irmão. As crianças não se preocupavam com moda, peso, carreira... o que ocupava os nossos pensamentos era brincar e se divertir, e isso fazíamos muito bem. 
O tempo parecia nunca passar, os verões eram intermináveis à beira mar, as férias duravam o tempo suficiente para a gente sentir saudades da escola e os chocolates eram muito mais saborosos, sem dúvida. No fim do dia ouvia a voz da mãe gritando meu nome pela janela. Era hora de ir para casa, que de dia cheirava a produtos de limpeza, de tarde cheirava a bolo e de noite tinha cheiro de comidinha caseira, hummmm.


Uma iniciativa do blog Desconstruindo a Mãe. Vai lá ver o que outros blogs disseram sobre o assunto!

Em agosto postei sobre meus tempos de criança com foto, confere lá.


domingo, 9 de outubro de 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Depressão pós-livro

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Dia desses descobri o nome do mal que me aflige, sim, sou portadora da "Depressão pós-livro" ou DPL para os íntimos. É incurável, mas consigo conviver bem com ela procurando aliviar seus sintomas, e isso só acontece quando encontro outro livro suficientemente bom para cativar minha atenção por completo. Nos envolvemos com os personagens, imaginamos seus rostos, sentimos suas alegrias e dores, e de repente, num virar de páginas, eles se vão, e custa acreditar que acabou ali, naquela página tão vulgar, idêntica a tantas outras que viramos sem grandes preocupações, um relacionamento ambivalente, simultaneamente positivo e negativo. É extenuante ler! Mas como resistir abrir novas páginas, conhecer países distantes, lugares que só existem na imaginação, novos mundos, conhecer pessoas do passado ou mesmo do futuro, rir e chorar com os personagens, morder os lábios de apreensão, respirar aliviado quando as coisas se acalmam, me digam, como resistir?! Ler traz uma série de experiências, uma relação única entre letras e leitor que conjugados formam uma parceria que deixa um vazio quando termina, e é sempre assim, de capa a capa. E nesse estado em que me encontro, em DPL, começo a olhar para os lados à procura de novas histórias. Sugestões?

..."não há limite para fazer livros". 
Eclesiastes 12:12

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Brincar é importante!

Sofia com cerca de 18 meses
Para a criança brincadeira é coisa séria, e os adultos deveriam ver dessa forma também. Já ouvi de algumas pessoas (falando comigo ou com outros) que a criança vai pra escola só para brincar e desenhar, não faz mais nada (referindo-se à pré-escola). E eu penso cá comigo, o que uma criança de 3 a 6 anos faria na escola além disso? Resolveria teoremas e dissertaria sobre alimentos transgênicos, ou então debateriam sobre a política atual e seus efeitos na procriação das moscas no Camboja? Brincar é algo instintivo, qualquer criança do mundo tem essa inclinação natural e é dessa forma que mostram como vêem o mundo, seus problemas, seu desenvolvimento, aprendem as regras sociais, o ganhar e o perder, a partilhar, e é uma forma de se comunicar também. Quando uma criança acorda e não pensa logo em brincar algo ali não está bem (com ela os com os pais). Aqui em casa a primeira coisa que faço é medir a temperatura para me certificar se não estão com febre. De qualquer forma, brincar é o normal, e eles fazem isso o tempo todo, nós, adultos, é que esquecemos como é que é bom.

Para uma boa brincadeira precisamos de:
  • Boa disposição;
  • Imaginação;
  • Roupas práticas e confortáveis;
  • Tempo livre;
  • Espaço seguro para a idade da criança;
  • Alguns brinquedos ou materiais para improvisação como: paus, roupas velhas, papéis, bolas de meia...


Para brincar NÃO precisamos necessariamente de:
  • Brinquedos caros ou de última geração;
  • Roupas e sapatos da moda;
  • Agenda lotada de compromissos "divertidos"; 
  • Orientação de especialistas em brincadeiras; 
  • Espaços específicos e decorados por experts em interesses infantis;


Gostaria de receber sugestões de brincadeiras de você que leu esse post!

domingo, 2 de outubro de 2011

Meditação de domingo: Ensina a criança...

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”
(Provérbios 22.6).

O livro de provérbios traz uma série de conselhos e regras de bom comportamento. De maneira nenhuma Provérbios 22:6 fala de garantias de não apostasia da fé na idade adulta. Então, sem entrar em muitos detalhes sobre textos em hebraico, o que posso compreender é que ensinando as crianças bons hábitos desde pequenos (o que inclui o ensino bíblico e não só), há a tendência dos mesmos permanecerem por toda a vida. Lembrando que para haver ensino é imprescindível que haja aprendizado, um não pode existir sem o outro, nunca podemos dizer: eu ensinei mas... a criança é que não aprendeu. Tsc, tsc, nesse caso não houve ensino, houve apenas uma tentativa mal sucedida. Vamos ensinando então sobre a honestidade, prudência e humildade que os levam a respeitar a Deus,  citadas nos versículos 1, 3 e 4, torcendo e nos esforçando para que eles aprendam. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Há amor em mim - Blogagem Coletiva

Pensando sobre o assunto dessa blogagem coletiva pude relembrar que há amor em mim proveniente de várias fontes. Quando criança sempre me senti amada pela minha família e pessoas que estavam à minha volta como professores, amigos de escola, vizinhos. Nunca fiz nada de especial para o merecer, mas recebia com muito gosto o amor vindo de pessoas que guardo cá comigo entre muitas recordações. Fui acumulando amor. E a adolescência? Quantos "amigosparasempre" tive, de cada um, sem forçar muito a memória, trago algo em especial, tantos segredos partilhados em sussurro no intervalo das aulas, tanta sede de viver, tantas dúvidas e sonhos que se alteravam conforme assoprávamos as velas dos bolos de aniversário. Quantas vezes fui não dormir na casa de alguma amiga, suas mães eram como se fossem minha também, e vice versa. Ainda na adolescência veio a descoberta de um amor muito mais intenso do que aquele que eu já conhecia, o amor de Deus, conhecido, experimentado, aprovado e recomendado, foi uma paixão arrebatadora que me acompanha desde então. 
Há amor em mim vindo de "pessoas" de quatro patas. Tive um cão que não era meu, mas que era mais meu do que de seu dono (o patrão do meu pai, dono da ilha em que ele trabalhava). Era um pastor alemão que conheci ainda filhote doentinho, por quem pedi a Deus que o salvasse cada vez que tinha que ir no veterinário, não me lembro bem a idade que eu tinha, talvez 7 ou 8, Borg era seu nome. Eu tirava o recheio do meu sanduíche para dar para ele achando que assim ele poderia melhorar,  separava o bife do meu prato e ele comia na minha mão, e ele melhorou (não por causa da comida, claro), e era minha sombra, se eu desse um passo ele dava, se eu pulava no mar, ele pulava e me puxava pelo biquini para a terra seca, e dormia na porta do meu quarto (quando deixavam) ou na porta da casa, muitas vezes tropecei nele ao sair do quarto ou de casa. Quando íamos embora da ilha para nossa casa no continente ele pulava no mar e ía nadando até onde conseguia, e eu aos prantos mandando ele voltar temendo que se afogasse, mas ele sempre voltava para a ilha quando se cansava. Mas um dia, que guardo com todo carinho em minha memória, não sei por qual motivo, meu pai parou o barco e o deixou nos alcançar e lá foi ele conosco (o cão mais feliz do mundo) para nosso apartamento onde passou um dia e uma noite. Inesquecível. 
Toda essa experiência amorosa em tempos remotos serviram como um ensaio para a maior de todas até hoje, ser mãe. Parece um clichê (e de fato é) dizer que amor de mãe é imensurável (quando amam, claro). No decorrer dos anos fui acumulando amor para enfim transbordar na maternidade. Agradeço aos que constantemente se manifestam em gestos e palavras de amor por mim. Guardo-os em mim e aos poucos vou passando como um testemunho para meus filhos, sim tem que ser aos poucos, saboreando como se de uma taça de sobremesa se tratasse, em pequenas colheradas. 


Estes são uns dos desenhos da minha primogênita que costumo encontrar debaixo do travesseiro, ou dentro da minha gaveta, ou no armário da cozinha, ou sob o meu prato, ou na minha mochila, ou dentro do livro que estou lendo....

Há amor nela também!




Tema proposto por: Um pouco de mim.









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