Quando seu segundo filho nasceu, a autora sentia falta de passar a quantidade de tempo habitual com o filho de dois anos, por isso decidiu que todas as tardes, durante uma hora, o marido tomaria conta do bebê e ela teria uma hora de "qualidade" com o mais velho. Passavam essa hora brincando de todas as brincadeiras que ele gostava, mas alguma coisa não batia certo. Havia algo de pomposo e pouco natural nessas atividades. Aquele sistema não estava funcionando.
Em uma ocasião ela precisou ser dura com o filho mais velho embora não quisesse assumir um postura rígida quando tinha tão pouco tempo para estar com ele. Para sua surpresa, ele reagiu bem e reagiu normalmente, e parecia até mais descontraído. A partir desse dia ela se assegurou de que o tempo que passava com o filho seria usado para coisas rotineiras e não atividades "especiais". Deixou de ter "tempo de qualidade" para ter "tempo real".
Nesse caso, o que é qualidade? O que os filhos querem dos pais é segurança e o que lhes dá segurança é rotina, consistência, limites (como vimos no cap. 1), e não podemos agir assim em passeios excepcionais (que são bons, mas não consistentes muito menos rotineiros). Vesti-los. alimenta-los, deita-los, o dia a dia, nessas alturas os é preciso estar lá para seus filhos.
A expressão "tempo de qualidade" sugere que o tempo mais virtuoso que pode passar como os seus filhos é tempo livre, em brincadeiras elaboradas e passeios dispendiosos. O tempo livre é ótimo enquanto gratificação adicional, são nas atividades rotineiras que se conhece realmente seus filhos, que estabelece uma ligação mais forte. Eles têm de perceber que é você que está sempre lá para eles, tanto nos períodos mais difíceis quanto nos mais divertidos. Torne as rotinas tão divertidas quanto puder, com tanta frequência quanto conseguir, e será um pai ou uma mãe muito melhor do que se inverter estas prioridades.
Patilhar sua atenção. O filho quer sua atenção, mas você precisa fazer as tarefas do dia, como a refeição, por exemplo, então nesse caso é preciso negociar, faça primeiro a tarefa que tiver que fazer, e depois lhe dedique o tempo que precisa (não estamos falando de emergências, claro), assim nesse tempo não estará preocupada com as tarefas ainda por fazer. Quando se tem mais de um filho eles precisam entender que vão ter que dividir sua atenção. O mais importante é que eles sintam que está sendo justo. Talvez a atenção que seu filho quer possa ser suprida por outro membro da família, como no caso de ajudar a pegar algum brinquedo fora do alcance.
Tempo e atenção. O tempo que passa com seus filhos e a atenção que lhes dedica não são exatamente a mesma coisa, mas estão interligados. Por vezes, é um equilíbrio difícil dividir o seu tempo entre as crianças e todas as outras coisas que tem de fazer. Ninguém consegue fazer isso sempre bem.




